A eliminação do Esporte Clube Bahia na segunda fase preliminar da Copa Libertadores 2026 confirma um cenário preocupante: o clube segue sem evolução real no cenário internacional. Cair antes mesmo da fase que define quem entra na fase de grupos é um fracasso esportivo difícil de relativizar, ainda mais pelo investimento feito.
A derrota para o O'Higgins, decidida nos pênaltis na Fonte Nova, escancarou problemas que vêm se repetindo. O Bahia até conseguiu reverter o placar no tempo normal, mas perdeu o controle emocional após sofrer o gol que levou a decisão para as penalidades. Nos pênaltis, Dell e Éverton Ribeiro desperdiçaram suas cobranças, selando a eliminação precoce e deixando o clube sem qualquer competição internacional em 2026.
Investimento alto, desempenho baixo
O contraste financeiro chama atenção. O elenco do Bahia é avaliado em mais de 105 milhões de euros. Já o rival chileno trabalha com um plantel estimado em cerca de 11 milhões. A diferença não apareceu em campo. Pelo contrário: o time brasileiro mostrou nervosismo, pouca criatividade e dificuldade para transformar superioridade técnica em domínio real.
O alerta já havia sido dado em 2025
Na temporada passada, o Bahia deixou escapar uma classificação praticamente encaminhada na fase de grupos da Libertadores. O time somava 7 pontos nos três primeiros jogos e precisava de apenas 3 em 9 possíveis para avançar. Não conquistou nenhum.
Perdeu os três jogos restantes com atuações pobres. Contra o Atlético Nacional, em confronto direto, finalizou apenas uma vez no gol, já no último minuto. Na rodada decisiva, diante do Internacional, confirmou a eliminação com mais uma atuação sem força competitiva.
Terminou em terceiro lugar e foi para a Copa Sul-Americana, onde caiu nos playoffs para o América de Cali, mesmo tendo um elenco superior.
Falta identidade internacional
O problema não é apenas perder. É como perde. O Bahia demonstra dificuldade em jogos decisivos, pouca consistência fora de casa e fragilidade emocional quando pressionado. Não há evolução clara de um ano para o outro.
A comparação com o Fortaleza se torna inevitável. Com investimentos menores ao longo dos últimos anos, o clube cearense conseguiu chegar a mata-matas de Libertadores e disputar final de Sul-Americana, construindo uma identidade competitiva no continente. O Bahia, apesar do elenco valorizado e da estrutura moderna, ainda não conseguiu dar esse salto.
Conclusão
A eliminação para o O’Higgins não é apenas um tropeço pontual. É a confirmação de que o projeto internacional do Bahia ainda não saiu do discurso. Muito investimento, pouca maturidade competitiva e nenhum avanço concreto.
Se não transformar potencial financeiro em desempenho continental, o clube seguirá acumulando eliminações precoces e desperdiçando oportunidades de se consolidar entre os protagonistas da América do Sul.
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