A Liga Jupiler da Bélgica tem um dos regulamentos mais peculiares do futebol europeu. Desde 2009/2010, o campeonato passou a adotar um sistema de playoffs que, apesar de ter sido simplificado nos últimos anos, ainda é alvo de críticas pela complexidade e pela falta de proporcionalidade esportiva.
Abaixo, explico detalhadamente como funciona e por que o modelo é problemático.
Como funciona o campeonato
Número de clubes
A liga conta com 16 equipes na primeira divisão.
Fase regular
Todos jogam contra todos em turno e returno. Ao final dessa fase, a tabela é dividida.
Playoffs do título
Classificados
Do 1º ao 6º lugar avançam para o grupo que disputa o título.
Formato
Esses seis times se enfrentam em ida e volta, totalizando 10 partidas para cada clube.
Vagas europeias do grupo do título
Campeão vai direto para a fase de liga da UEFA Champions League.
Vice-campeão vai para a fase de qualificação da Champions.
Terceiro e quarto colocados vão para a fase de qualificação da Liga Europa da UEFA.
Quinto colocado não garante vaga automática.
Sexto colocado não vai para competição europeia nenhuma.
Aqui começa o primeiro grande problema. Um time que termina entre os seis melhores do país pode acabar a temporada sem vaga internacional.
Playoffs da Liga Conferência
Classificados
Do 7º ao 12º lugar entram em um novo grupo.
Formato
Também jogam entre si em ida e volta, totalizando 10 partidas para cada equipe.
Objetivo
O líder desse grupo avança para uma final contra o 5º colocado do playoff do título.
Quem vencer essa final fica com a vaga na Liga Conferência Europa da UEFA.
Onde está a distorção
Possibilidade contraditória
Um time que terminou a fase regular em 12º pode chegar à competição europeia.
Enquanto isso, o 6º colocado geral do campeonato pode terminar sem nada.
Desvalorização da fase regular
A campanha ao longo de toda a temporada perde peso, porque a posição final antes dos playoffs não garante proporcionalidade na recompensa.
Excesso de jogos e cruzamentos
São múltiplas fases, grupos paralelos e uma final extra para decidir uma única vaga continental.
Dependência de vagas variáveis
As vagas europeias não são totalmente fixas, pois dependem do coeficiente da Bélgica nas competições da UEFA. Isso pode alterar cenários e tornar o sistema ainda mais difícil de entender.
Por que esse modelo foi criado
A mudança implementada em 2009/2010 buscava
Manter mais clubes com objetivos até o fim da temporada.
Aumentar audiência e receita.
Criar mais jogos decisivos.
De fato, o campeonato se tornou comercialmente mais interessante. Porém, competitividade não deve ser sinônimo de artificialidade.
Comparação com modelos mais simples
Em ligas tradicionais da Europa, como a Premier League ou a La Liga, a classificação final determina diretamente as vagas europeias. Quem termina melhor, é premiado de forma proporcional. Não há atalhos para quem ficou no meio da tabela.
Conclusão
O formato atual da liga belga é menos confuso do que versões anteriores, mas continua distante de um modelo claro e meritocrático. Ele cria situações em que a lógica esportiva é distorcida, penaliza campanhas consistentes e premia equipes que não tiveram desempenho equivalente ao longo da temporada. Um campeonato com 16 clubes não precisa de um sistema tão complexo para gerar emoção. Quando o torcedor precisa quase de um manual para entender quem vai para a Europa, o problema não é falta de competitividade. É excesso de invenção.
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