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Crise do futebol sérvio: Estrela Vermelha é eliminado da Champions

A eliminação do Estrela Vermelha na fase de qualificação da Liga dos Campeões acende um alerta para o futebol sérvio. O atual campeão nacional perdeu por 3 a 0 no placar agregado para o Hapoel Be'er Sheva, de Israel, e ficou fora da disputa por uma vaga no play-off da principal competição de clubes da Europa.

Estrela Vermelha vs. Hapoel Be'er Sheva
O resultado é especialmente significativo porque o Estrela Vermelha se tornou praticamente uma potência incontestável dentro da Sérvia. O clube conquistou o Campeonato Sérvio pela nona temporada consecutiva em 2025/26 e chegou ao 37º título nacional de sua história. Ainda assim, o domínio doméstico não tem sido suficiente para sustentar a posição internacional do futebol sérvio.

Estrela Vermelha cai antes do play-off da Champions
O Estrela Vermelha entrou na atual temporada europeia com a obrigação de avançar. Depois de superar o Larne, da Irlanda do Norte, por 4 a 0 no confronto anterior, o clube sérvio enfrentou o Hapoel Be'er Sheva na fase seguinte. 

No primeiro jogo, realizado em Israel, o Estrela Vermelha perdeu por 1 a 0. Na partida de volta, em Belgrado, voltou a ser derrotado, desta vez por 2 a 0. Com isso, o Hapoel Be'er Sheva venceu o confronto por 3 a 0 no agregado.

A eliminação significa que o campeão sérvio não chegou sequer ao play-off da Champions League, uma posição decepcionante para um clube que nos últimos anos se tornou o principal representante do país nas competições europeias.

A UEFA confirmou que a fase de qualificação da Champions League 2026/27 se estende até 26 de agosto, quando serão definidos os últimos classificados para a fase de liga.

De 11º colocado na Europa a uma posição muito mais baixa
A queda do Estrela Vermelha também precisa ser analisada dentro de um problema maior: o enfraquecimento do futebol de clubes da Sérvia no ranking da UEFA.

Ao final da temporada 2022/23, a Sérvia ocupava a 11ª posição no ranking de associações da UEFA, com 32,375 pontos. Era uma das grandes surpresas do futebol europeu naquele momento e estava à frente de países tradicionais como Turquia, Suíça e República Tcheca.

O cenário mudou rapidamente.
A temporada 2023/24 foi particularmente ruim para os clubes sérvios, que somaram apenas 1,400 ponto no coeficiente. Naquele período, apenas uma vitória e dois empates foram registrados pelos clubes do país nas competições europeias, segundo levantamento publicado à época.

A consequência foi uma queda significativa no ranking. No início da temporada 2026/27, a Sérvia já aparecia na 30ª posição no ranking de cinco anos utilizado pela UEFA para distribuir vagas nas competições europeias.

E a tendência continua preocupante. No ranking projetado para 2027, a Sérvia aparece atualmente na 29ª colocação, com 17,750 pontos acumulados, enquanto os resultados da temporada 2026/27 ainda estão em andamento. 

O paradoxo do domínio do Estrela Vermelha
O futebol sérvio apresenta um paradoxo. O Estrela Vermelha nunca foi tão dominante no país, com nove campeonatos consecutivos e seis dobradinhas seguidas. Porém, essa hegemonia também evidencia a falta de competitividade da liga.

A distância entre Estrela Vermelha, Partizan e os demais clubes aumentou. O campeão consegue montar um elenco muito superior aos rivais, mas essa força doméstica não se traduz da mesma forma na Europa. A eliminação diante do Hapoel Be'er Sheva é mais um exemplo.

Estádios vazios refletem outro problema
A perda de força internacional não é o único sinal de alerta. A SuperLiga Sérvia também enfrenta dificuldades para atrair público. Nos primeiros jogos da temporada 2026/27, a média era de apenas 2.925 espectadores por partida, enquanto o Estrela Vermelha liderava, com cerca de 7 mil.

O contraste é enorme. O clube possui uma das torcidas mais apaixonadas da Europa, mas os jogos comuns do campeonato nacional não mobilizam o mesmo público das partidas europeias e do clássico contra o Partizan.

 É um círculo difícil de romper: menos público significa menor receita, menos investimentos reduzem a competitividade internacional e resultados europeus ruins fazem o país perder posições no ranking da UEFA.

O futebol sérvio depende demais de um único clube
Durante anos, o Estrela Vermelha carregou praticamente sozinho o futebol sérvio na Europa. Porém, um país não consegue sustentar seu coeficiente apenas com um clube.

Quando Partizan, Vojvodina, TSC Bačka Topola e outros representantes são eliminados cedo, a Sérvia perde pontos difíceis de compensar. A situação piora quando o próprio Estrela Vermelha encontra dificuldades nas eliminatórias.
A eliminação para o Hapoel Be'er Sheva mostra justamente isso: até o principal clube do país está encontrando obstáculos para avançar.

Uma crise que vai além do Estrela Vermelha
O problema é estrutural. A Sérvia precisa de mais clubes competitivos, melhores estádios, maior presença de torcedores, projetos financeiros sustentáveis e resultados europeus consistentes.

O exemplo da Bósnia e Herzegovina é revelador. Enquanto a Sérvia caiu da 11ª posição para a casa do 30º lugar, clubes bósnios como Borac e Zrinjski conseguiram reduzir a diferença com participações frequentes nas competições europeias.

A eliminação pode ser um alerta para o futuro
O Estrela Vermelha continuará sendo favorito absoluto ao título sérvio. Mas hegemonia nacional não pode ser confundida com evolução internacional.

O futebol sérvio vive uma situação curiosa: nunca foi tão fácil para o Estrela Vermelha conquistar o campeonato, mas também parece cada vez mais difícil para os clubes do país competirem na Europa. A eliminação diante do Hapoel Be'er Sheva não criou essa crise. Ela apenas tornou o problema impossível de ignorar.

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