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O que aconteceu com o El Nacional? Entenda a crise

Durante décadas, o El Nacional foi sinônimo de tradição no futebol equatoriano. Campeão nacional em 13 oportunidades, semifinalista da Copa Libertadores de 1985 e conhecido mundialmente por atuar apenas com jogadores equatorianos, o clube de Quito ajudou a escrever parte da história do esporte no país.

Jogadores do El Nacional. Foto: API
Hoje, porém, a realidade é completamente diferente. Após anos de dificuldades financeiras, erros administrativos e resultados ruins, o El Nacional vive uma das maiores crises da história do futebol sul-americano. Em 2026, o clube disputa a Série B e corre sério risco de sofrer um novo rebaixamento, desta vez para a Segunda Categoría, equivalente à terceira divisão do Equador. 

Um gigante do futebol equatoriano
Fundado em 1964, o El Nacional rapidamente se tornou uma potência nacional. O clube conquistou seu primeiro campeonato equatoriano apenas três anos depois e acumulou 13 títulos nacionais, tornando-se um dos maiores campeões da história do país.

Sua principal marca sempre foi a política de utilizar exclusivamente jogadores equatorianos, o que lhe rendeu o apelido de "Los Puros Criollos". Além dos títulos nacionais, o clube chegou à semifinal da Copa Libertadores de 1985, um feito histórico para o futebol equatoriano na época. 

O início da decadência
A crise começou a ganhar força em 2010, quando o governo equatoriano proibiu que instituições públicas financiassem clubes de futebol. Como o El Nacional possuía uma forte ligação com as Forças Armadas, perdeu uma importante fonte de recursos financeiros.

Sem o mesmo poder econômico, o clube passou a enfrentar dificuldades para manter elencos competitivos. Aos poucos, vieram temporadas decepcionantes, queda nas receitas e aumento das dívidas. Enquanto rivais como Independiente del Valle e LDU Quito investiam em gestão e categorias de base, o El Nacional acumulava problemas administrativos e financeiros. 

Dívidas agravaram a situação
O clube passou a conviver com atrasos salariais, processos de jogadores e credores, além de dificuldades para cumprir exigências da Federação Equatoriana de Futebol.

Em 2025, mesmo escapando do rebaixamento dentro de campo, o El Nacional sofreu um duro golpe: foi rebaixado administrativamente para a Série B por não cumprir obrigações financeiras repetidamente. A punição foi considerada uma das mais severas da história recente do futebol equatoriano. 

A Série B virou um pesadelo
A expectativa era de um retorno rápido à elite, mas a campanha de 2026 se transformou em mais um capítulo da crise. O desempenho da equipe ficou muito abaixo do esperado. O El Nacional permaneceu na parte inferior da tabela durante boa parte da competição e viu a possibilidade de disputar a terceira divisão tornar-se cada vez mais real.

Pelo regulamento da Série B equatoriana, os últimos colocados são rebaixados para a Segunda Categoría, aumentando a pressão sobre um clube que jamais imaginava viver uma situação semelhante. 

Muito além do futebol
Os maus resultados em campo são apenas uma consequência de problemas muito maiores.
Entre os principais fatores que explicam a crise estão:
Endividamento elevado.
Falta de estabilidade administrativa.
Trocas constantes de dirigentes e treinadores.
Elencos enfraquecidos por limitações financeiras.
Perda de receitas esportivas e comerciais.
Punições impostas pelas autoridades do futebol equatoriano. 

Sem capacidade de investimento, o clube perdeu competitividade e passou a lutar apenas pela sobrevivência.

Um rebaixamento histórico pode acontecer
Caso termine entre os últimos colocados da Série B, o El Nacional disputará pela primeira vez a Segunda Categoría, a terceira divisão do futebol equatoriano.

Para um clube acostumado a disputar Libertadores e conquistar títulos nacionais, seria um dos maiores tombos já registrados no futebol do país. A queda também teria impacto financeiro significativo, reduzindo receitas de televisão, patrocínio e bilheteria, além de dificultar ainda mais a recuperação esportiva. 

Ainda existe esperança?
Apesar do cenário extremamente complicado, o El Nacional ainda conta com o apoio de sua torcida. Campanhas de arrecadação, mobilização dos sócios e mudanças na administração buscam evitar um desfecho ainda mais dramático. No entanto, especialistas do futebol equatoriano apontam que apenas uma reestruturação financeira profunda poderá devolver o clube ao protagonismo que teve durante grande parte de sua história. 

O futuro do El Nacional dependerá dos próximos meses, tanto dentro quanto fora de campo. Além da necessidade de reagir na Série B, o clube precisará reorganizar suas finanças e recuperar a credibilidade institucional para evitar um rebaixamento histórico. Caso contrário, um dos maiores campeões do futebol equatoriano poderá disputar pela primeira vez a terceira divisão, encerrando um dos capítulos mais difíceis de sua história.

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